segunda-feira, 1 de julho de 2013

Capítulo 5

(Continuação dos capítulos anteriores. Comece lendo o Capítulo 1)

Aquele jovem tinha um coração tão puro. Não estava pronto ainda para tamanha crueldade, a ponto de sequer pensar em sair daquele lugar imundo e deixar pra trás uma alma, por mais perigosa que fosse! Nunca foi tarefa dele julgar culpados ou inocentes, decidir sobre atacar ou defender o reino.  Por esse motivo então, antes de sair do calabouço e se salvar, Gabriel esforçou-se para também libertar o maltrapilho prisioneiro. Foram seguidas tentativas até arrebentar o cadeado que trancava aquela cela, até que ela enfim se arrebenta!
- Obrigado amigo, devo a minha vida ao senhor... mas... digo, a você! És muito jovem! – observou o maltrapilho – o que fizestes para estar aqui? Somente condenados são trazidos pra cá!
- Psssssit! Fale baixo ou não conseguiremos fugir! – alerta o jovem, preferindo não revelar a sua verdadeira identidade.
Seguiram por todo o corredor em passos curtos e sorrateiramente subiram por uma escada até chegarem num saguão superior, amplo e iluminado.
Muito agradecido, o homem segue os passos de Gabriel, surpreso com a confiança daquele jovem... ele parecia conhecer bem o local. Finalmente ele descobre estar seguindo um integrante da família real, vendo-o ser reverenciado outro serviçal que vinha na direção contrária e se curvou diante dele:
- Bom dia, Senhor. Vossa Majestade precisa de ajuda?
-Quero que me leve até o armorial. – ordenou.
Os dois seguiram para o armorial. O príncipe ainda se lembrava de como se acionava o compartimento secreto. Foi o que fez assim que chegou ao aposento. O compartimento lentamente se abriu, enquanto o desconhecido homem se perguntava:
- Aquele serviçal o chamou de “Majestade” ? Não me mate! Tenha piedade desse pobre homem...!
-Cale-se! Não o fiz até agora, e não é hora para lamúrias! – disse o príncipe – Rápido, me ajude a vestir essa armadura!
Mal as peças se prendiam ao seu franzino corpo. Para o “escudeiro de última hora” era uma linda e reluzente armadura, como ele nunca havia visto igual em nenhum outro lugar. E de vestimenta tão fácil foram rápidos o suficiente para prepará-lo.
Em segundos, ficaram frente com o servo, o mordomo. O mesmo que iludiu o príncipe herdeiro com falsas promessas e o aprisionou nos cômodos mais profundos do seu próprio castelo. E novamente entrou em cena o maldito sarcasmo que o caracterizava como um perigo eminente à paz e segurança de qualquer pessoa :
- Vossa Majestade não parece ser tão inocente! Como conseguiu sair sozinho daquele horrível calabouço? Hum... aposto que teve a ajuda desse prisioneiro fedorento e insolente.
- Exijo uma explicação sua, serviçal. O que esta acontecendo aqui? Você me enganou por todo esse tempo, desde o falecimento do meu pai! – gritou Gabriel, agora de posse da sua armadura e apontando a sua espada com mãos trêmulas contra o servo.
Foi num piscar de olhos que aquele corrupto homem deu início a uma estranha metamorfose, nunca vista pelo jovem príncipe nem pelo seu escudeiro. O maldito servo se  transformou numa serpente gigante, negra e de olhos desafiadores. Do tamanho de quatro cavalos juntos e assustadoramente perigosa, minava veneno de suas enormes presas. Todos ficaram atônitos com a cena. Não conseguiam acreditar no que os seus olhos acabaram de ver. Logo a movimentação chamou à atenção de seis guardas reais que, munidos cada um de armadura de couro e espadas se apresentaram em defesa do príncipe. Começava então no salão armorial uma terrível batalha contra uma criatura rápida, maligna e mortal. Em defesa do reino estavam os guardas reais, um desarmado escudeiro que logo se apoderou da adaga mais próxima que encontro e o franzino Grabriel Aisengard sétimo, o herdeiro do trono. Estariam eles frente à frente com a morte?



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